Sobre a minha vinda pra San Diego e “seguir a boiada”…

Nesse post eu vou te contar que diacho eu vim fazer em San Diego, nos Estados Unidos. Contextualizando a foto do post: agora são quase 18 horas (aqui) e estou sentado no rooftop do prédio que moro, esperando o pôr do sol e escrevendo, momento em que tirei a foto.

Na verdade, falar sobre isso é apenas um pretexto pra falar sobre sonhos, morte de sonhos, e por aí vai.

Bem, se você chegou agora e não tá sabendo: Mara (minha esposa) e eu viemos morar um tempo aqui na Califórnia. Falar sobre isso faz parte, justamente, do viVendo com Alma e da filosofia dele.

Tudo começou em janeiro de 2006, quando eu conheci o “mundo” pela primeira vez. Nesse ano eu fiz a minha primeira viagem internacional, fui pra França estudar francês, língua que aprendi muito novo e bem antes do inglês.

Ocorre que não foi uma viagem qualquer. Acredito que essa foi a primeira vez que o meu cérebro registrou a sensação de “viver com alma”.

Eu simplesmente fiquei maravilhado com a experiência de estar fora do Brasil. Tudo pra mim era motivo de curiosidade, de encantamento. Acredito que se eu tivesse ido pra Disney não teria sido tão impactante, rs.

Essa experiência vinha não de conhecer os lugares famosos, os pontos turísticos, apesar de tê-lo feito, e sim de simples e puramente estar num lugar multi-cultural, em que eu olhava pro lado e via pessoas falando francês, inglês, árabe, italiano…

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Me lembro até hoje o quão chocado fiquei ao ver uma mulher de cultura árabe vestindo uma burca, somente os olhos aparecendo. Veja, não que eu professasse alguma opinião por ela estar com burca, pelo contrário. Foi um choque cultural pela novidade daquilo que, antes, eu só via na TV.

Outro elemento que foi de fundamental importância foi o meu mentor, professor de francês e amigo que me levou na excursão, o Ivan Cupertino. Tive a honra de dividir quarto com ele, o que nos aproximou muito e enriqueceu a minha viagem.

Me contando de suas viagens anuais para a França e outros países, a minha curiosidade, que já estava grande só se aguçou mais ainda.

Voltando pro Brasil, decidi: quero morar fora do país! Vislumbrei inúmeras possibilidades, ensaiei cenários, estudei países.

No final, nada disso aconteceu, e sim que o meu lado racional e “segue-boiada” achou melhor tomar outro rumo, o mais previsível: continuar a minha faculdade e passar num concurso, ou fazer um mestrado.

O preço que o meu lado explorador cobrou para desistir do seu sonho de morar fora foi: “quando eu passar no concurso, terei dinheiro pra viajar, ponto final”.

Hoje me recordo que, ainda naquela época, um amigo do francês (no Brasil) me falou o seguinte, quando soube que eu queria ir embora: “Cara, vai com tudo! Meu pai me disse que sempre sonhou em ir pra fora, mas aí ele passou no concurso do Banco do Brasil e botou o sonho de lado!”.

Essa conversa foi tida em um ponto de ônibus da faculdade há uns 12 anos. Eu sou péssimo para memória de conversas triviais como essa, no entanto, me lembro de tudo, agora imagine como isso me marcou?!

Nesse momento me recordo uma cena do filme “Amor sem escalas”, estrelado por George Clouney, em que ele pergunta para uma das pessoas que ele está demitindo (era a profissão dele): “por quanto inicialmente você vendeu os seus sonhos que deixou de viver?”. (no final do texto coloco aqui a cena do filme, vale assistir!

De todo modo, acordei antes que fosse ainda mais tarde, não é? Afinal de contas, estou aqui! Rs… agora que já passou, não vale um minuto de energia pensar se teria sido melhor dessa ou daquela forma.

O que vale mesmo é que eu passei 12 anos falando pra mim mesmo que um dia eu moraria fora do país, ainda que por um tempo curto, e de uma forma ou de outra isso aconteceu.

Isso mesmo: durante esses 12 anos, tive lampejos do que seria morar fora, pois viajar sempre foi uma prioridade na minha vida. E digo mais: nunca me interessei muito em viajar dentro do Brasil, que, aliás, conheço pouquíssimo. E sim viajar pra outros países, ainda que vizinhos.

O motivo disso é um só: estar fora do país, em outra cultura, que me permite ter acesso a vidas diferentes, visões diferentes de vida, novos costumes.

Tanto que durante esses anos sempre busquei intercalar uma viagem para um país “normal” com outra para um país um pouco fora do circuito, como Nepal (que passei quase 1 mês), Índia, Marrocos, Tanzânia, Quênia, Bolívia. Veja algumas fotos…

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Casa de família no Quênia – África – 2016
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Comemoração do meu aniversário no Nepal – 2010

Nesse período de 12 anos, passei em 5 concursos, dos quais exerci 3 cargos. No período, antes de passar para os concursos de nível superior, ainda tive um período de “crise” se era isso que eu realmente queria (ser servidor e ficar preso).

Em um dado momento dessa crise, Mara e eu chegamos a elaborar uma possibilidade de saída, mas foi por água abaixo. Novamente eu vendi o meu sonho, mas dessa vez o preço foi mais sofisticado: “quando eu tiver no cargo que pague melhor, terei possibilidade de juntar dinheiro pra ter uma viagem mais agradável, de repente fazer um mestrado, sem me preocupar muito!”.

Genial, não?! Eu sou muito convincente, sobretudo comigo mesmo!

E mais uma vez o meu lado “segue a boiada” foi em busca de mais dinheiro, mais status, mais estabilidade, e o meu lado explorador passou à função de se prostituir uma ou duas vezes por ano nas viagens de férias, rs.

Mas a vontade de morar fora ainda permanecia, não tinha jeito, e eu continuava sempre falando isso em voz alta: “eu ainda vou passar uma temporada fora do país, viajando”.

Já em um cargo que pagava melhor, pensei: “viagem de volta ao mundo”, pronto, achei a solução. Vou passar um período juntando dinheiro e “vamusimbora”.

Mas quando eu vi o tempo que levaria até eu juntar esse dinheiro, desisti da ideia, novamente.

Fato é que o tempo passou, comecei a dar aulas para concursos no mundo digital, comecei a fazer uma formação de terapeuta holístico em Core Energetics e um novo mundo de possibilidades se abriu pra mim.

Tempos depois eu assumi pra mim mesmo que permanecer como servidor público não era o que eu queria de verdade, e também iniciei o processo interno e externo de fazer a transição, afinal de contas, não é fácil abrir mão de uma remuneração de 12 mil líquidos por mês (um dia falo mais sobre isso e como foi o processo).

Pedi exoneração do serviço público em 29 de setembro de 2017, quando Mara e eu já estávamos oficialmente casados, de papel passado.

Nesse momento, o meu eu explorador aparece de novo e fala: “acorda, cara, o que te impede de, agora, me deixar livre?”.

E exatamente dessa forma caiu a ficha de que nada me impedia de concretizar o meu sonho e ainda melhor: com um trabalho que me permite estar em qualquer lugar do mundo, com minha esposa também vibrando e na mesma vibe de morar fora…

Escolhemos inicialmente San Diego porque Califórnia sempre foi uma opção, por ser um lugar com um astral diferente, onde as coisas acontecem numa velocidade maior que nos outros lugares.

SD veio por ser uma cidade litorânea, grande, mas com uma pegada de cidade praieira e aconchegante. Tínhamos conhecido aqui na nossa lua de mel.

O que eu estou fazendo aqui? Nada! Rs

Literalmente, estou vivendo o meu sonho de viver fora do Brasil. Aqui estou, tecnicamente, fazendo as mesmas coisas que no Brasil, só que nos Estados Unidos.

Mas o significado disso pra mim e pra minha alma é muito maior e indescritível.

Não é um simples morar aqui, e sim conhecer pessoas, viver experiências…

A ideia é ficar aqui até dezembro deste ano, quando partimos para outro lugar, ainda em aberto.

Podemos ficar aqui por 6 meses com o visto de visitante, até março de 2019, mas a intenção é explorar outros lugares também, outros países.

Quem está no comando é o explorador, então, ele quem manda na parada.

No final das contas, o que acredito que vale a reflexão aqui é:

  • Por quanto você tem vendido os seus sonhos?
  • Caso você tenha um lado “siga a boiada”, te digo com propriedade: ele é muito sorrateiro, usa de armas poderosas e sutis.
  • No fundo, não passa de uma criança amedrontada, que busca uma sensação psicológica de segurança, e tá tudo bem com isso, só reconheça e honre esse seu lado!
  • Não se desespere e abra mão de vez do lado seguro, ele foi e é muito importante, mas existem outras alternativas.
  • Conheço muita gente que resolve dar vazão a esse lado sonhador depois da aposentadoria, quando o descobre. E tá tudo bem também, o importante é saber que, de fato, nunca é tarde.
  • No final das contas, há sempre um lado verdadeiro e puro dentro de nós trabalhando para que os nossos sonhos aconteçam. A sabedoria está em saber ouvir e permitir que ele fale um pouco mais e conte a sua versão da sua história. Talvez a gente se apaixone por ela de verdade, ou talvez veja que é só um deslumbre.
  • Mas as vezes o lado seguro também nos diz que é deslumbre. Não quero te confundir, mas é sempre importante saber distinguir, e isso só se aprende se conhecendo bem. Por diversos momentos eu já achei que era uma loucura impossível.

Ouvir o meu lado explorador é, pra mim, estar viVendo com Alma!

Vou viver assim pro resto da vida? Não sei, ele é quem vai decidir!

5 comentários em “Sobre a minha vinda pra San Diego e “seguir a boiada”…

  1. Meu velho, fiquei tão feliz em saber da realização deste projeto seu de morar fora. Vc foi em busca da realização de seus sonhos, isso é maravilhoso e inspirador. Gde abraço do seu colega da turma PNL

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  2. Fabrício, ótimo artigo.
    Também tenho esse lado explorador, já tive diversas frustrações na vida profissional, as quais serviram para definir o que realmente o quero para minha vida. Assim como vc, também não penso em morar em lugar por muito tempo, tenho esse espiríto aventureiro. Por isso, que a maioria das profissões convencionais não se adequaram ao meu perfil. Estou trilhando rumo a idenpendência financeira e a uma vida profissional. Que Deus o acompanhe, sucesso nessa nova vida. Ah…… que bom saber que existem pessoas no mundo que similares comigo em alguns aspectos da vida.

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