Vamos falar sobre sexo?

Hoje resolvi escrever sobre sexo.

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Foto de @tantraislove

Antes que você faça conjecturas sobre isso ou arme um eventual arsenal de defesas internas, uma vez que esse é um tema delicado, deixa eu te falar o que me motivou a fazer isso.

Primeiro, porque é um tema delicado, por si mesmo, rs. Eu acredito que junto com dinheiro e sucesso/ poder, esse é o tema sobre o qual mais temos crenças limitantes, bloqueios, tabus, enfim.

Por outro lado, é também, junto com os demais, o que mais atrai as pessoas, basta olhar para as séries, filmes e novelas, sempre existem enredos girando em torno desses temas.

Sendo assim, aqui temos a primeira contradição e o reflexo dele na nossa sociedade atual, a qual estigmatiza o assunto, o enxerga através de lentes um pouco distorcidas, mas no íntimo ele literalmente está vivo e na maioria das vezes é expressado, também, de forma distorcida (na sociedade).

Além disso, vemos cada vez mais casos de abusos sexuais, na sua grande maioria praticados contra mulheres (outro dia falo do assunto voltado aos homens), que ganham grande relevo quando envolvem pessoas que ocupam espaço de autoridade, ainda mais em meio religioso.

Só que esses casos acontecem diariamente, e em diferentes graus, com pessoas comuns.

Sem querer entrar aqui em teorias mirabolantes ou buscar justificativas para qualquer caso de abuso (se o agressor é doente ou não, ou etc…), penso que um dos motivos pelos quais isso acontece ainda hoje é pela forma com que a sociedade lida com ele – o assunto sexo.

Em primeiro lugar, o sexo não é uma invenção humana e tampouco algo distante nas nossas vidas. Ele é tão fisiológico quando fazer xixi, dormir, comer. Nós estamos aqui porque nossos pais fizeram sexo, mas a despeito dessa naturalidade, crescemos em meio a um tabu.

Não se fala sobre isso em casa, pra começo de conversa. Isso porque os próprios pais, na maioria das vezes, não sabem lidar com isso sozinhos e nem enquanto casal. Como consequência, acaba refletindo na forma com que é exposto ou não dentro de casa.

Não estou defendendo e nem falando que é preciso fazer sexo na frente dos filhos, ou que é preciso montar uma mesa redonda com uma criança e explicar isso pra ela e muito menos que tem que ser uma matéria da escola. Por favor, sem extremismos!

Quando somos crianças recebemos algumas lições sobre isso, sempre de forma muito lúdica e despretensiosa, e tá tudo bem com isso, é uma fase das crianças.

Mas a questão é que ficamos adolescentes e ninguém muda o discurso, ninguém contou uma história diferente. O que ocorre na sequência? Vamos descobrir por nós mesmos, e aí dá no que não presta.

Isso é tão verdade que o reflexo disso são as músicas que hoje viram moda entre os adolescentes, as quais normalmente têm letras bem pesadas e saciam, de certa forma, essa necessidade de se encontrar.

Sem falar na pornografia, uma forma nada legal de se iniciar no assunto. No entanto, é essa a mensagem que é passada!

Enfim, não desejo fazer uma análise sociológica do tema, mas existe um ponto em comum por trás dessa problemática: a falta de diálogo sadio e colocar o tema no lugar dele de direito.

Ao invés disso, é tratado nas entocas e, como resultado, o adulto acaba não sabendo lidar com ele, não sabendo usar essa energia de forma correta, recorrendo à pornografia, prostíbulos, e outros artifícios.

Em complemento, dificilmente vai ter uma relação sexual saudável no casamento, o que culmina, em alguns casos, na busca dos mesmos artifícios citados acima.

Ou seja, é um ciclo vicioso que é mantido, alimentado, cria doenças, mas ainda assim é mais fácil execrar da sociedade os doentes mais explícitos (os abusadores, pedófilos, etc), enquanto no fundo a maior parte da população vive com essa doença dentro de si, mas em estágio vegetativo.

Estou assistindo a uma série feita pela CNN e Christiane Amanpour, que se chama Sex and Love Around The World, ou Sexo e Amor ao Redor do Mundo (está no Netflix EUA). O que a série mostra, na essência, é justamente isso: muda de país, muda cultura, religião, tudo, mas o problema é o mesmo, as distorções são as mesmas.

Abusos sexuais são os efeitos, os sintomas da doença que está instalada na sociedade, e não a causa. É como querer dar tilenol para dor de cabeça gerada pela ausência de óculos corretivos.

É preciso punição a quem comete crimes? Sim, claro, de acordo com a lei que tiver em vigor. Isso não tem nem dúvida! Nada justifica!

Mas também é preciso que cada um passe a olhar diferente pra esse aspecto na sua própria vida. Falar que ‘o governo’, ‘a igreja’ precisa tratar disso é vazio, é chover no molhado.

O que é preciso é cada um buscar quebrar os seus tabus internos sobre o assunto; destravar as energias e fazer as pazes com a sua sexualidade, não se calar e fingir que nada está acontecendo.

Eu nem vou pro nível de ‘o casal precisa falar mais disso’, pois se não há uma aceitação pessoal, um entendimento de si mesmo, de nada adianta o casal falar.

Tanto os homens quanto as mulheres enfrentam verdadeiras barras internas em suas vidas sexuais, independente de serem casados, solteiros, homossexual, heterossexual ou assexual, como alguns se definem.

Existem mulheres em idade adulta que não sabem o que é um orgasmo, não sabem!

Existem homens que acreditam que a única coisa que importa estando junto com uma mulher é ‘gozar’ (não vou nem usar o termo orgasmo, já é um nível acima).

Por outro lado, algumas mulheres carregam o peso de sempre terem que estar disponíveis aos seus companheiros, ao passo que também existem homens que carregam o peso de terem que ‘performar’ um determinado estereótipo, sem nem saber de onde isso veio.

Enfim, isso foi apenas pra pincelar que existe o sintoma em todas as partes, e é preciso abrir a mente e olhar sem os óculos do passado, sem os estereótipos, sem os estigmas sociais.

Minha intenção, com esse texto, é apenas abrir um diálogo, não resolver problema de ninguém.

É falar o que eu penso sobre o assunto. Existe uma mudança profunda sendo processada em torno desse assunto em todo o mundo, tanto do ponto de vista feminino quanto masculino.

Só que isso está sendo feito na surdina ou não tendo o cartaz que merece e precisa. Por quê? Adivinha?

Eu, particularmente, ainda tenho a intenção de abordar esse assunto especificamente com homens, sejam hetero ou homo. Assim como as mulheres estão se reinventando, evoluindo, é preciso que os homens também o façam, no sentido de soltarem a carga cultural que carregam do macho-alfa-comedor, para uma versão mais verdadeira e alinhada com a sua própria essência masculina.

Por outro lado, enfrentam o peso cultural do estigma nas costas e muitas vezes não possuem elementos para fazer diferente e nem sabem que podem, não têm um espaço onde podem se expressar sem máscaras de masculinidade e aprender a lidar com a sua própria sexualidade de forma saudável.

Mulheres, o que eu disse acima não é com o condão de separatividade, ‘nós somos homens, yeah!’, ou com viés machista. Se tiver entendido isso, peço que releia novamente todo o texto, pois possivelmente você leu com os olhos dos seus preconceitos internos e só buscou frases ou palavras que o reforçassem.

Enfim, é isso. Se você quiser comentar aqui pra dialogar, acho excelente! Só te peço o seguinte: lembre que o espaço aqui é de paz, e não de julgamento, de discussão, ou de alimentar a energia da separatividade. Qualquer um nesse sentido vai ser banido, pois não tenho a menor intenção de polemizar, de discutir ou de dar mais poder a essa energia, que já é pesada de nascença.

Por fim, se você é homem e sentiu de alguma forma tocado pelo que falei e desejar se abrir, sem julgamento e de forma segura, pode me enviar um e-mail (contato@fabriciorego.com.br), ou uma mensagem via Instagram (@eu.fabriciorego), estou aberto e disposto a compartilhar ideias.

P.s.: foto de @tantraislove

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2 comentários em “Vamos falar sobre sexo?

  1. Perfeito, Fau! Há alguns dias vi um filme chamado O Especialista, com uma cena linda de sexo entre Stalone e Sharon Stone, mas hoje em dia a sociedade acha absurda uma cena assim, como se fosse crime praticar sexo feliz.

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